segunda-feira, 8 de junho de 2026
08/07/2010 - Falta pouco para partir...
Falta pouco para partir
e quero desfrutar a vida
já paguei minha hipoteca
já fiz a lição de casa
agora quero viver
e curtir a poesia
fazer da vida minha obra
a arte de todo dia.
De que se trata viver?
Viver é amar
ficar junto e ser amigo
compartilhar a paixão
jogar muita conversa fora
comer um rango bem bom
e degustar com fruição
uma taça de bom vinho.
Também é curtir
um filme de boa safra
dormir bem toda a manhã
e à noite ficar em casa.
Talvez não deva esquecer
que sinto saudades do mar
do bosque da nossa infância
de Paris e de Madri
de Nova York e Barracas.
Me pergunto
e trabalhar?
Trabalhar é bom se cansa
e quando canse parar
para voltar à minha alma.
25/09/2010 - Oração para meu amigo Di Nallo
Não sei sentir tua falta
preciso continuar bebendo nosso vinho
contigo
saber que a qualquer momento
você ligaria para pôr a conversa em dia
e ouvir tuas ironias tão britânicas
de um argentino de origem italiana
trocar idéias sobre a delicadeza
falar do amor à vida
que hoje parece abandonar-te
mas que está mais viva do que nunca
no nosso afeto que não pode morrer
porque é eterno.
(Di Nallo partiu faz uma semana - 17.09.2010 - só soube hoje)
Uma vida a tua procura
fugindo de mim
escondendo o bosque
para que não encontres meu coração perdido
para que não flagres meu perdão.
Se eu te amar
talvez não percebas minha beleza
que a pesar de mim
dizem que eu tenho.
Se eu te agradar e seduzir
talvez a morte não apareça
talvez possa viver em ti
embora o medo prevaleça.
Se eu destruir o teu espelho
deixarás de existir narcisa cruel.
O que farás sem teu reflexo?
O que será de mim?
Serei apenas eu
agora príncipe e princesa
acordando para o sempre
projetando-me aos confins.
De que perdão eu falo?
De qual pecado?
De ser bonito? De existir?
De querer destruir meu próprio rosto?
Perdoa esta mulher que por achar-se feia
procura destruir a beleza ao seu redor.
Perdoa a fraqueza de ser outro
irreal
virtual
sem mais valor.
Perdido no eco dos reflexos
perdoa e aconchega sua beleza
sua má estima
perdoa por paixão
por compaixão
ama e anima.
Embale eu esse coração perdido
saiba ver o vigor da beleza quieta e meiga
seja eu homem
enfrente o bosque
que minha própria luz trará o dia.