segunda-feira, 8 de junho de 2026


Uma vida a tua procura
fugindo de mim
escondendo o bosque
para que não encontres meu coração perdido
para que não flagres meu perdão.


Se eu te amar

talvez não percebas minha beleza

que a pesar de mim

dizem que eu tenho.  

Se eu te agradar e seduzir

talvez  a morte  não apareça

talvez possa viver em ti

embora o medo prevaleça.


Se eu destruir o teu espelho

deixarás de existir narcisa cruel.

O que farás sem teu reflexo?

O que será de mim?

Serei apenas eu

agora príncipe e princesa

acordando para o sempre

projetando-me aos confins.

De que perdão eu falo?

De qual pecado?

De ser bonito? De existir?

De querer destruir meu próprio rosto?

Perdoa esta mulher que por achar-se feia

procura destruir a beleza ao seu redor.

Perdoa a fraqueza de ser outro

irreal

virtual

sem mais valor.

Perdido no eco dos reflexos

perdoa e aconchega sua beleza 

sua má estima

perdoa por paixão

por compaixão

ama e anima.

Embale eu esse coração perdido

saiba ver o  vigor da beleza quieta e meiga

seja eu homem

enfrente o bosque

que minha própria luz trará o dia.


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