Uma vida a tua procura
fugindo de mim
escondendo o bosque
para que não encontres meu coração perdido
para que não flagres meu perdão.
Se eu te amar
talvez não percebas minha beleza
que a pesar de mim
dizem que eu tenho.
Se eu te agradar e seduzir
talvez a morte não apareça
talvez possa viver em ti
embora o medo prevaleça.
Se eu destruir o teu espelho
deixarás de existir narcisa cruel.
O que farás sem teu reflexo?
O que será de mim?
Serei apenas eu
agora príncipe e princesa
acordando para o sempre
projetando-me aos confins.
De que perdão eu falo?
De qual pecado?
De ser bonito? De existir?
De querer destruir meu próprio rosto?
Perdoa esta mulher que por achar-se feia
procura destruir a beleza ao seu redor.
Perdoa a fraqueza de ser outro
irreal
virtual
sem mais valor.
Perdido no eco dos reflexos
perdoa e aconchega sua beleza
sua má estima
perdoa por paixão
por compaixão
ama e anima.
Embale eu esse coração perdido
saiba ver o vigor da beleza quieta e meiga
seja eu homem
enfrente o bosque
que minha própria luz trará o dia.
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